Guardar dinheiro é importante.
Mas existe uma pergunta que costuma receber muito menos atenção:
para que exatamente você está guardando?
Imagine uma pessoa com R$ 20 mil investidos.
Ela olha para aquele valor e sente alguma segurança. Porém, quando precisa trocar o carro, fazer uma reforma, pagar uma despesa inesperada ou planejar uma viagem, surge a dúvida:
“Posso mexer nesse dinheiro?”
Se todo o patrimônio está no mesmo lugar e não possui objetivos definidos, fica difícil responder.
Depois dos 50, organização financeira não deveria significar simplesmente acumular o máximo possível.
O dinheiro precisa começar a ter função.
Uma parte pode proteger contra emergências.
Outra pode financiar planos para os próximos anos.
Outra precisa permanecer pensando no futuro.
E outra pode e deve servir para aproveitar a vida.
Afinal, construir patrimônio sem saber o que ele deve proporcionar pode transformar anos de economia em apenas um número crescendo na tela do banco.
Depois dos 50, as metas financeiras mudam
Aos 25 anos, uma pessoa pode estar juntando dinheiro para comprar o primeiro carro.
Aos 35, talvez esteja pensando na casa própria ou na educação dos filhos.
Depois dos 50, outras perguntas começam a ganhar espaço.
Quando quero parar de trabalhar?
Minha aposentadoria será suficiente?
Quero viajar mais?
Pretendo continuar morando nesta casa?
Precisarei ajudar meus filhos?
Quanto quero ter disponível para saúde e imprevistos?
Existe algum projeto que adiei durante décadas?
Não significa que todos pensem da mesma maneira.
Significa apenas que o dinheiro precisa acompanhar a fase da vida.
E isso muda a maneira de guardar e investir.
O erro de colocar todo o dinheiro na mesma caixa
Imagine que você tenha R$ 30 mil guardados.
Parece simples.
Mas aqueles R$ 30 mil precisam fazer o quê?
Se R$ 10 mil representam sua reserva de emergência e você utiliza todo o valor para uma viagem, voltou sem proteção.
Se os R$ 30 mil estão destinados à aposentadoria e você precisa trocar o carro no próximo ano, talvez esteja utilizando dinheiro de longo prazo para resolver uma necessidade próxima.
O problema não é necessariamente gastar.
É misturar objetivos completamente diferentes.
Uma maneira simples de organizar isso é dividir o dinheiro mentalmente ou efetivamente em três horizontes.
Dinheiro para agora: proteção
A primeira caixa é a da segurança.
É o dinheiro que precisa estar disponível quando alguma coisa foge do planejamento.
Um problema na casa.
Uma despesa inesperada.
Uma redução temporária da renda.
Uma necessidade familiar realmente importante.
Essa é a função da reserva de emergência.
Por isso, esse dinheiro precisa priorizar características como segurança e facilidade de acesso.
Ele não deveria ser confundido com dinheiro para férias ou compras planejadas.
Uma viagem não é emergência.
Trocar o sofá porque apareceu uma promoção também não.
Separar essas coisas evita que a reserva seja utilizada continuamente para despesas previsíveis.
Dinheiro para os próximos anos: seus projetos
Aqui entram objetivos que você pretende realizar, mas que não precisam acontecer imediatamente.
Por exemplo:
viajar daqui a dois anos;
trocar o carro daqui a três;
reformar a casa;
fazer um curso;
montar um pequeno negócio;
guardar para uma celebração familiar.
Quando existe um prazo, fica muito mais fácil planejar.
Suponha que uma viagem custe aproximadamente R$ 12 mil e você queira realizá-la daqui a dois anos.
Sem considerar rendimentos, seriam cerca de R$ 500 por mês durante 24 meses.
De repente, aquilo que parecia apenas um desejo começa a se transformar em uma meta concreta.
Objetivo + valor + prazo = planejamento.
Dinheiro para o futuro: sua liberdade
A terceira caixa olha mais longe.
É o dinheiro que pode complementar sua aposentadoria ou proporcionar maior autonomia nos próximos anos.
Talvez você não queira parar totalmente de trabalhar.
Mas gostaria de trabalhar menos.
Talvez queira manter seu padrão de vida mesmo depois da aposentadoria.
Ou simplesmente deseja possuir patrimônio suficiente para não depender de crédito diante de decisões importantes.
Esse dinheiro possui uma característica diferente:
você não pretende utilizá-lo amanhã.
O prazo maior permite pensar em estratégias diferentes daquelas utilizadas para uma reserva que precisa estar disponível rapidamente.
É justamente por isso que perguntar “qual é o melhor investimento?” antes de definir o objetivo costuma inverter a ordem das coisas.
Primeiro vem a finalidade.
Depois vem o produto financeiro.
E onde entra o dinheiro para aproveitar a vida?
Aqui existe uma quarta categoria que não deveria ser esquecida.
Viver.
Depois dos 50, planejamento financeiro não deveria significar guardar tudo para um futuro indefinido.
Existe um risco em passar décadas economizando e nunca considerar legítimo utilizar parte do dinheiro para experiências.
Viajar.
Frequentar bons lugares.
Praticar um hobby.
Visitar familiares.
Conhecer destinos que sempre desejou.
Melhorar a casa.
Fazer alguma coisa simplesmente porque proporciona prazer.
Essas despesas podem fazer parte do planejamento.
A diferença está entre:
gastar porque sobrou
e
guardar justamente para poder gastar com aquilo que importa.
Transforme sonhos em números
“Quero viajar mais.”
Isso é um desejo.
“Quero fazer uma viagem de aproximadamente R$ 8 mil daqui a 18 meses.”
Agora temos uma meta.
“Quero ter mais tranquilidade na aposentadoria.”
Desejo.
“Quero construir determinado patrimônio ao longo dos próximos dez anos para complementar minha renda.”
Meta.
Quanto mais concreta for a intenção, mais fácil será calcular quanto precisa ser guardado.
Para cada objetivo, responda:
O que quero realizar?
Quanto aproximadamente isso custará?
Quando quero realizar?
Quanto já tenho?
Quanto precisarei guardar mensalmente?
Essas cinco perguntas transformam ideias vagas em planejamento financeiro.
Não crie dez metas ao mesmo tempo
Outro erro é querer resolver tudo de uma vez.
Reserva.
Viagem.
Carro.
Reforma.
Aposentadoria.
Investimentos.
Ajuda aos filhos.
Novo negócio.
Quando todo objetivo parece prioridade, nenhum realmente é.
Escolha primeiro aquilo que precisa ser protegido.
Depois, aquilo que possui maior importância para você.
Pode haver três metas simultâneas, por exemplo:
1. Construir ou completar a reserva de emergência.
2. Guardar para um objetivo de médio prazo.
3. Investir pensando no futuro.
Quando uma delas for concluída, outra pode entrar.
E se hoje eu consigo guardar pouco?
Esse ponto é importante.
Nem todo mundo consegue separar R$ 1 mil ou R$ 2 mil todos os meses.
Talvez sobrem R$ 100.
Talvez R$ 200.
Isso não torna o planejamento inútil.
R$ 200 mensais representam R$ 2.400 em um ano, sem considerar eventuais rendimentos.
Em cinco anos, são R$ 12 mil apenas em aportes.
Mais importante do que começar com uma grande quantia é construir o hábito de dar destino ao dinheiro antes que ele desapareça no cotidiano.
Conforme a situação financeira melhorar, o valor pode aumentar.
Quando receber um dinheiro extra, evite decidir na hora
Décimo terceiro.
Férias.
Restituição do Imposto de Renda.
Venda de algum bem.
Um trabalho extra.
Quando um valor inesperado entra na conta, existe uma tendência de tratá-lo como dinheiro sem destino.
Se suas metas já estiverem definidas, a decisão fica muito mais simples.
Uma parte pode reforçar a reserva.
Outra antecipar determinado objetivo.
Outra pode ser utilizada para lazer.
Não existe necessidade de transformar todo dinheiro extra em investimento.
Mas também não existe necessidade de permitir que ele desapareça sem que você perceba.
Revise suas metas uma vez por ano
A vida muda.
Um plano feito aos 52 pode não fazer mais sentido aos 57.
Uma viagem pode perder prioridade.
Uma mudança de casa pode entrar nos planos.
A aposentadoria pode estar mais próxima.
Uma despesa que não existia pode aparecer.
Por isso, metas financeiras não precisam ser contratos eternos.
Uma vez por ano, faça uma revisão.
Pergunte:
Ainda quero isso?
O prazo continua o mesmo?
O valor estimado mudou?
Minha renda mudou?
Existe alguma prioridade nova?
Mudar uma meta não significa fracassar.
Significa ajustar o dinheiro à vida real.
Cuidado para não guardar apenas para os outros
Depois dos 50, esse ponto merece atenção especial.
Existem pais que passaram praticamente toda a vida financeira pensando nos filhos.
Faculdade.
Carro.
Casamento.
Casa.
Netos.
Ajuda em momentos difíceis.
Tudo isso pode fazer parte da vida familiar.
Mas existe uma pergunta que também precisa ser feita:
qual parte do seu patrimônio está sendo construída para você?
Para sua aposentadoria.
Sua segurança.
Seus projetos.
Sua qualidade de vida.
Ajudar a família é uma decisão legítima.
Comprometer permanentemente o próprio futuro para resolver todas as necessidades dos outros é outra coisa.
Uma folha pode mudar a maneira como você olha para seu dinheiro
Faça um exercício simples.
Pegue uma folha e crie quatro espaços:
| Objetivo | Para quê? | Quando? | Quanto preciso? |
| Proteção | Emergências | Sempre disponível | R$ ___ |
| Projeto | Viagem/reforma/carro | ___ anos | R$ ___ |
| Futuro | Aposentadoria/liberdade | Longo prazo | R$ ___ |
| Vida | Lazer e experiências | Durante o ano | R$ ___ |
Agora olhe para o dinheiro que já possui.
Talvez você perceba que está guardando muito para um objetivo e nada para outro.
Ou que possui investimentos, mas nenhuma reserva.
Ou ainda que passou anos construindo patrimônio e nunca separou nada para realizar um projeto pessoal.
Essa simples divisão já começa a dar propósito ao dinheiro.
O próximo passo é escolher onde cada dinheiro deve ficar
Depois de definir as metas, surge naturalmente outra pergunta:
onde guardar ou investir cada valor?
E é aí que começamos uma nova etapa.
Dinheiro de emergência exige determinadas características.
Dinheiro que será utilizado daqui a dois anos exige outras.
Patrimônio pensado para um prazo muito maior pode permitir estratégias diferentes.
Sem procurar “o investimento milagroso”.
O objetivo será aprender a escolher.
Depois dos 50, dinheiro também precisa ter propósito
Durante muitos anos, talvez o dinheiro tenha servido principalmente para pagar contas, criar filhos, financiar a casa e cumprir obrigações.
Depois dos 50, ele pode começar a assumir outro papel.
Comprar liberdade.
Liberdade para enfrentar uma emergência sem empréstimo.
Para fazer uma viagem sem voltar com uma dívida.
Para diminuir o ritmo de trabalho.
Para cuidar da saúde.
Para ajudar alguém quando realmente quiser e puder.
Ou simplesmente para ter tranquilidade.
Por isso, da próxima vez que olhar para o saldo da sua conta ou dos seus investimentos, não pergunte apenas:
“Quanto eu tenho?”
Pergunte também:
“O que eu quero que esse dinheiro faça por mim?”
Quando essa resposta fica clara, guardar dinheiro deixa de ser apenas um hábito financeiro.
Passa a ser uma forma de financiar a vida que você ainda quer viver.
Aviso: O blog pode conter links de afiliados. Ao clicar e realizar uma compra, podemos receber uma pequena comissão sem nenhum custo adicional para você. Isso nos ajuda a manter o conteúdo gratuito e de qualidade.